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COMUNISMO: Moraes ironiza notícias falsas e diz que é tratado como vilão

Moraes continuou afirmando que hoje "pega mal" falar contra as eleições e se passou a apontar fraudes. "Lá [nos EUA] se atacou o quê? O voto por carta. 'São fraudados' e 'houve fraude'. No Brasil se atacou a urna eletrônica. Se o voto aqui fosse no papel, ia atacar o papel. 'Tem que ser urna eletrônica'. Se o voto fosse por sinal de fumaça, iriam atacar o sinal de fumaça", disse.

O ministro do STF, Alexandre de Moraes, provocou um clima descontraído ao ironizar a tão falada “ameaça comunista” no Brasil durante um evento do Tribunal de Contas do Estado de São Paulo. Moraes apontou que o assunto ganha bastante destaque, mas ressaltou que a maioria das pessoas não sabe nem mesmo o que é comunismo. Em tom sarcástico, perguntou se a China, um país considerado comunista, era mais capitalista do que o Brasil. O ministro também destacou que falar contra a democracia já não é mais algo que cause tanto impacto, então é melhor se tornar um “grande defensor da democracia” e atacar as eleições como forma de descredibilizá-las.

Ao abordar a questão dos ataques às instituições e aos membros do Judiciário, Moraes destacou a necessidade de personificar o inimigo para que o ataque seja mais efetivo. Segundo ele, é preciso encontrar alguém concreto para ser o vilão brasileiro.

O magistrado afirmou no evento que, no mundo todo, atacar a democracia não dá mais ibope. “Não vamos falar: ‘vamos fechar o Congresso’, ‘vamos dar um golpe’. Não. Vamos ser os ‘grandes defensores da democracia’, da liberdade. Não por outra coisa, passou a ser definida a liberdade sem limites. A liberdade de se fazer o que quiser. E vamos atacar um instrumento que garante a democracia, é o segundo pilar e grande pilar das democracias ocidentais: as eleições.”

Moraes continuou afirmando que hoje “pega mal” falar contra as eleições e se passou a apontar fraudes. “Lá [nos EUA] se atacou o quê? O voto por carta. ‘São fraudados’ e ‘houve fraude’. No Brasil se atacou a urna eletrônica. Se o voto aqui fosse no papel, ia atacar o papel. ‘Tem que ser urna eletrônica’. Se o voto fosse por sinal de fumaça, iriam atacar o sinal de fumaça”, disse.

 

O ministro afirmou que somente foi possível descredibilizar as eleições porque, com ajuda das redes sociais, notícias falsas passaram a ser confundidas com notícias veiculadas na mídia profissional. Em meio à declaração, Moraes também brincou afirmando que, se tirassem os celulares do Brasil, a produtividade aumentaria. Os presentes riram.

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No evento, o magistrado citou ainda os ataques aos membros do Judiciário, incluindo ele próprio, e seus familiares. “Atacar o Judiciário só, falar de uma instituição fica um pouco etéreo. Você tem que personificar e achar dentro da instituição um inimigo de carne e osso porque aí você personifica. No caso no Brasil foi carne, osso e sem cabelo. Um preconceito. Você personifica e você vai batendo, vai batendo porque dá ibope. É uma novela. Não existe novela que o vilão é uma instituição. Tem que ser uma pessoa.”

Para Moraes, a Constituição deu todos os instrumentos para que as instituições, especialmente o Poder Judiciário, tivessem “independência e autonomia para reagir a esses ataques” à democracia. Ainda no evento, o ministro disse que desde a promulgação da Constituição de 1988, o Brasil vive “o maior período de estabilidade democrática de sua história republicana”. Moraes apontou que, em 35 anos, talvez o Brasil, entre as maiores democracias, é o que mais sofreu ataques e teve problemas, mas eles foram superados em razão do “fortalecimento que a Constituição deu às suas instituições”. Moraes citou que o país sofreu ataques à democracia recentemente e afirmou que as instituições brasileiras conseguiram responder.

“Tivemos eleição, tivemos posse, tivemos o dia 8 de janeiro e estamos aqui no dia 6 de outubro na democracia e no Estado de Direito, graças ao fortalecimento institucional de órgãos de Estado”, declarou. Em razão desse fortalecimento institucional, disse o ministro, surgiu uma nova forma de ação: os ataques em conjunto com o uso das redes sociais. O ministro declarou que os algoritmos das redes sociais também foram modificados para “ganhar o eleitor, transformar o eleitor em massa de manobra e, lamentavelmente, em um fanático político”, criando bolhas que reproduzem discursos de ódio. “É uma verdadeira lavagem cerebral. O algoritmo percebe o viés de interesse seu e, a partir disso, ele induz informações, no ataque à democracia.”

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